Uber adota ChatGPT Work: o que gestores aprendem
Uber adota ChatGPT Work para 30 mil funcionários após estourar orçamento de IA. Veja lições sobre custo, agentes de IA e governança para empresas brasileiras.
Você aprova a conta de IA no fim do mês e o volume de tokens disparou, mas a produtividade das equipes não acompanhou. O orçamento estourou e a diretora quer saber onde está o retorno desse investimento. A manchete sobre a Uber mostra exatamente essa encruzilhada.
A notícia de que a Uber adota ChatGPT Work para seus 30 mil funcionários mostra uma corporação global apostando em agentes de IA para ganhar escala, mesmo após estourar o orçamento anterior de inteligência artificial. A medida amplia a parceria com a OpenAI e coloca a ferramenta nas áreas de finanças, operações, marketing e desenvolvimento de produtos.
O que aconteceu na Uber?
A Uber anunciou a disponibilização do ChatGPT Work para mais de 30 mil funcionários em todo o mundo após um período de testes com mil profissionais. A decisão foi divulgada pelo canaltech.com.br em 22 de outubro de 2026.
O ChatGPT Work, lançado em julho, permite delegar atividades complexas à IA, incluindo tarefas que cruzam diferentes aplicativos e documentos. Na Uber, o sistema acessa serviços como Google Drive, Gmail, Google Agenda e Slack. Ele utiliza essas informações para produzir relatórios, analisar dados e preparar apresentações.
Durante a fase de testes, cerca de 80% dos mil participantes atuavam fora da engenharia de software. O vice-presidente de engenhamento da Uber, Sumanth Sukumar, explicou ao TechCrunch que os funcionários usaram a IA para identificar tendências em dados operacionais, adaptar materiais de treinamento para diferentes idiomas e desenvolver painéis personalizados. A empresa também realizou um experimento com 30 engenheiros de IA, que trabalharam por duas semanas com diferentes equipes para automatizar atividades.
A implementação será acompanhada de treinamentos internos. O modelo padrão da ferramenta será o GPT-6.1 Sol, enquanto os desenvolvedores continuarão usando o Codex para programação. O valor do contrato não foi divulgado.
Qual é o contexto de custo dessa adoção?
A decisão chama atenção porque a Uber já havia demonstrado preocupação com o aumento dos gastos internos com IA. Em maio, o Canaltech noticiou que a empresa esgotou o orçamento anual destinado ao Claude Code ainda em abril de 2026.
Na ocasião, o diretor de operações e presidente da Uber, Andrew Macdonald, questionou a relação entre o dinheiro investido e os resultados obtidos. Ele explicou que o aumento no consumo de tokens, unidades utilizadas para medir o processamento das ferramentas de IA, não se traduziu em um crescimento proporcional na quantidade de recursos entregues aos usuários.
Somente em 2025, a Uber desembolsou US$ 3,4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, montante que inclui diferentes projetos tecnológicos. Em agosto, o CEO Dara Khosrowshahi afirmou que a adoção de ferramentas de IA para programação estava próxima de 100% entre os engenheiros, com aumento na quantidade de código produzido por profissional.
Fora dos escritórios, a Uber comprometeu bilhões com tecnologias de direção autônoma. Em março, anunciou um acordo para investir até US$ 1,25 bilhão na Rivian até 2031. Em abril, ampliou o compromisso com a Lucid para US$ 500 milhões. Em agosto, informou que espera comprometer mais de US$ 10 bilhões ao longo dos próximos anos com veículos autônomos. Esses valores pertencem à estratégia de mobilidade autônoma e são separados do contrato com a OpenAI.
O que isso muda para as empresas brasileiras?
O caso da Uber traz três lições claras para gestores no Brasil.
- Uso de IA exige governança de custos rigorosa. O consumo de tokens cresce rápido e, sem um acompanhamento detalhado, a conta estoura antes do resultado aparecer. A Uber esgotou o orçamento do Claude Code em meses. Antes de escalar qualquer ferramenta, sua empresa precisa de uma política clara de uso e de métricas de retorno. Para estruturar isso, consulte nosso guia sobre governança de IA nas empresas.
- Agentes de IA conectados aos dados da empresa são o próximo passo. A Uber usa o ChatGPT Work porque ele acessa Google Drive, Slack e Gmail para executar tarefas de ponta a ponta. Um assistente solto, sem acesso ao contexto corporativo, gera textos genéricos. Um agente conectado aos seus dados produz relatórios reais e automatiza processos. Entenda melhor essa evolução lendo sobre agentes de IA para empresas.
- Adoção em escala requer treinamento e embaixadores. Cerca de 80% dos usuários no teste da Uber não eram engenheiros. Funcionários de finanças e marketing precisam de orientação para extrair valor da ferramenta. A Uber fará treinamentos internos, mas empresas de médio porte costumam resolver isso com uma rede de embaixadores de IA, que espalham as melhores práticas de departamento em departamento.
Como começar a usar agentes de IA com segurança?
Sua empresa não precisa assinar um contrato milionário para colher resultados. Nós, da Carper, recomendamos um caminho prático e iterativo.
- Faça um diagnóstico de oportunidades. Identifique processos manuais que consomem tempo e que dependem de dados internos, como análise de relatórios ou triagem de e-mails.
- Escolha um piloto restrito. Selecione uma equipe específica e defina métricas claras de sucesso, como horas economizadas por semana ou taxa de erro reduzida.
- Use um ChatGPT privado. Garanta que os dados da sua empresa não treinem modelos públicos. Veja como fazer isso no nosso guia sobre ChatGPT privado para empresas.
- Acompanhe o custo por resultado. Monitore o consumo de tokens contra as horas de trabalho reais economizadas. Intervenha logo que o custo subir sem ganho proporcional.
- Escale com mentoria. Antes de estender a ferramenta para toda a companhia, documente as lições aprendidas no piloto e designe embaixadores de IA em cada área.
Se você quer estruturar a adoção de IA na sua empresa com método e controle de custo, converse com a equipe da Carper.
Fontes
Perguntas frequentes
O que é o ChatGPT Work que a Uber adotou?
É uma ferramenta da OpenAI que permite delegar atividades complexas à IA, com acesso a aplicativos como Google Drive e Slack para executar tarefas de ponta a ponta.
A Uber obrigou os funcionários a usarem a IA?
A notícia informou que a ferramenta será disponibilizada para 30 mil pessoas, mas não ficou claro se o uso será obrigatório ou apenas estimulado com treinamentos.
Por que a Uber estourou o orçamento de IA antes?
O consumo de tokens aumentou muito com o Claude Code, mas esse volume não se traduziu em um crescimento proporcional na entrega de recursos aos usuários.
Como garantir que o custo da IA não estoure no fim do mês?
Monitore o consumo de tokens em relação a métricas concretas de produtividade, como horas economizadas, e defina uma política de uso antes de escalar a ferramenta.
O que são embaixadores de IA na prática?
São funcionários de diferentes áreas que dominam a ferramenta e ajudam os colegas a usar a IA corretamente, espalhando as melhores práticas pela empresa.
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